terça-feira, 24 de março de 2009

taças e tapas.

tapas e taças.

Um dia aconteceu uma guerra em Recife que nunca foi falada, mas eu sou um pouco ousado no meio desses “intelectuais” de palavras bem medidas e de elogios desmedidos, com sorrisos soltos pelo ar. Essa guerra aconteceu quando os holandeses se instauraram de fato em Recife, Nassau era o soberano do Brasil holandês, um período que para muitos foi de paz e prosperidade, Recife de Nassau a maior centro cosmopolita das Américas, não estava tão em paz assim. Porque de um lado as taças, copos e bocas tinham líquidos destilados e em outros fermentados, estava a disputa solta pela cidade, nas esquinas, nos puteiros, nos bares, nos palácios, nos mocambos, nas igrejas, na casa-grande. O vinho contra a cerveja, quem vencerá? Você toparia apostar? Apenas uma regra no jogo: sóbrio não joga.

Os latinos consumidores habituais e moderados do vinho, os germânicos povos do centro e do norte da Europa, tradicionais bebedores de cerveja e grandes adeptos dos excessos etílicos. Os portugueses bebiam em taças, sempre sutis, pois faltava grana. Mulheres não entravam, eles eram muito “machos”, sempre com muito respeito ao nosso senhor e com muita conversa afiada. Conspirações? Os holandeses viviam em mares de cerveja, pobres soldados, esquecidos na América, sem esperança de voltar pra casa, porem, nunca triste, goles constantes em forma de homeopatia matando a tristeza e trazendo coragem, fazendo gritar evoé Baco.

O português afirmava – São uns beberrões, hereges, filho de satãgoz. Você acredita meu filho, que eles invadem a igreja encapetados só para roubar a taça do padre. Aonde era para estar o sangue de cristo, agora está a bebida dos Bárbaros.

O holandês rebatia – São umas lolitas loucas desvairadas mesmo, só porque não são filhos de Dionísio, fica com pecuinha com chacotas, eita inveja silvestre. Faço questão de gastar todo meu ouro em putas, dados e cervejas... muitas cervejas...

Se eu fosse convidado para um banquete nessa situação do recife holandês, eu sentaria a mesa e pensaria que modos seguir. Diferenças em torno do que se deveria fazer em uma mesa, e do que se deveria fazer com uma garrafa.
Misturava geral pra depois vomitar a beira do Capibaribe? Recusaria e pediria um suquinho de pitomba?
Não. Pediria um whisky! Beberia puro e falaria para eles – Que mediocridade!